A gênese da consciência moral no desenvolvimento infantil

Na fase do desenvolvimento infantil que compreende o período que vai dos quatro aos seis anos é, geralmente, quando a criança tem a primeira noção dos seus próprios valores morais. É quando não mais considera as regras disciplinares impostas pelos outros como algo isolado e dirigido apenas a si, mas como algo a se refletir e, por vezes, introjetar. Mesmo com sua herança egocêntrica lá do nascimento, ela é muito curiosa, mas agora passa a sentir algumas ‘fisgadas’ de culpa ao transgredir certos códigos morais, inicialmente alertados pelos seus pais ou cuidadores.

Mesmo que ainda exista a busca do prazer imediato, nesta fase do desenvolvimento a criança se torna mais responsável pelas suas ações, mas resiste quanto a isso. Por exemplo, ao perceber que começa a chover em seu quintal, corre para sentir a água caindo. Mesmo sabendo que sua mãe pode reprovar tal atitude, corre para a rua e se molha, portanto, o que prevalece é o prazer. Seguindo na mesma linha, se a criança ficar gripada, vai ligar os pontos, ‘a bronca da mãe não tinha o propósito de me prejudicar, mas me preservar’. Nessa combinação de hedonismo e punição, leva a criança experimentar diferentes formas de prazer por meio da experiência e não mais por meio de seus pais.

Nessa dinâmica, a criança tende a opor-se às interferências impostas entre ela e o prazer imediato, resistindo a toda e qualquer coisa que não esteja de acordo com as atitudes que adotou. Os adultos neste momento surgem como uma ameaça em potencial para a sua identidade e à medida que se desenvolve, além das sanções externas passa a escutar a voz interior da consciência moral. Esta é, portanto, uma etapa que representa a transição entre a dependência e comportamento dócil do bebê para a autonomia e iniciativa próprias.

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